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‘Nasci em São Caetano do Sul e logo com dois anos meus pais se separaram e mudei para São Palo com a minha mãe e minhas duas irmãs mais velhas. Minha mãe nos criou praticamente sozinha. Ela teve minha irmã mais velha quando ainda estava na faculdade e acabou deixando a carreira um pouco de lado para nos criar. Ela nunca parou de trabalhar, mas não priorizou sua carreira. E ela sempre foi bem ocupada, então eu e minhas irmãs crescemos de forma bem solta e independente. Acho que isso influenciou muito minha percepção. Sempre quis ter minha independência financeira, construir uma carreira importante. Hoje minha mãe tem uma boa posição no Brasil e tenho muito orgulho dela (e ela ainda é nova…tem 53 anos).
Minha mãe sempre adorou viajar e tentou nos mostrar muito sobre outras culturas. Sempre fomos estimuladas a ler, ir a museus e isso fez com que, a partir do momento que decidi ser pesquisadora, ver como as coisas funcionavam fora do país.
Londres nunca foi uma vontade. Mas eu queria ter experiência com bons pesquisadores. Fui aprovada no Ciências sem Fronteiras durante meu doutorado em Saúde Pública e escolhi aqui pela Universidade e pelos pesquisadores, que nos vêem com bons olhos – somos trabalhadores, dedicados e geralmente viemos de boas universidades no Brasil. Isso, infelizmente, representa uma pequena parcela da população brasileira que tem acesso a uma educação de qualidade.
Mas claro, fiquei muito feliz em ter tido essa oportunidade e ao mesmo tempo fico muito triste de saber que o programa esteja chegando ao fim. O CSF está sendo muito importante para meu desenvolvimento profissional e acho que poderei contribuir muito quando voltar.
Não acho que tenha encontrado muitas dificuldades em Londres. Como venho de uma cidade grande não foi um choque cultural. O mais difícil é ficar longe dos amigos e da família. Demora um tempo para começarmos a nos integrar com as pessoas e quando conseguimos já esta na hora de voltar para casa, isso é um pouco triste!
Meu maior objetivo acho que é saber que fiz alguma diferença. Isso parece e pode ser um pouco narcisista…rsrs.. Mas quero tentar mudar alguma coisa no país. Sei que quando ficamos mais velhas ficamos mais pragmáticas, queremos um emprego, pagar as contas…Mas não quero abdicar de fazer alguma diferença.’ 

‘-Qual o seu recado para a humanidade?’

‘Recado para humanidade parace coisa de miss hein? Acho que agora um bom recado é nunca desistir, abandonar seus ideais, sempre fazer o que é certo para ter uma boa noite de sono, aprender com os erros – dos outros e os seus – e ser feliz (isso inclui fazer o que gosta)!’

Tags: Adulto, Artistas, Erica Dezonne, Europa, Imigrante, Individual, Inglaterra, Londres, Mulher

Informações

Cidade
Londres - GB
Data
Abril 2016
Fotógrafo
Erica D. Dezonne
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