A luta

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A luta

“Meu nome completo é João Bosco Padula, tenho exatamente 59 anos, natural de Fonte Nova, Minas Gerais. Minha infância foi maravilhosa, assim, eu não tive complexo da doença que eu tive, né, graças ao esforço da minha mãe, do meu pai, da minha madrinha, que ajudaram bastante e a minha força de vontade pra superar a doença que eu tive, a poliomielite, com 6 meses de idade, que eles chamavam de paralisia infantil. E uma observação, a vacina foi descoberta em 1955, eu nasci 3 anos depois, mas a gente nem tinha conhecimento se ela existia ou não. A minha infância foi muito bonita, eu me sentia bem a vontade, eu não podia brincar de certa forma com alguns brinquedos mas na medida do possível eu brincava, eu rolava na terra, eu pulava cerca, eu pulava árvore, ia no curral ver meu pai tirar leite, e eu posso dizer assim que foi uma infância muito boa, e a partir dos 14 anos eu vivi uma vida melhor ainda, porquê eu coloquei prótese nas pernas pra eu ter uma sensibilidade maior pra andar, e eu fui superando gradativamente aqueles momentos.

Eu saí de lá em 1972, fui morar com meus tios em Ouro Preto pra dar continuidade ao meu tratamento, e a partir de 1974 eu vim pra São Paulo com toda minha família, com meus 6 irmãos. Cheguei a fazer alguns serviços informais, eu mexia com encadernação de livros no bazar da minha prima lá perto da minha casa, ganhava modestamente mas era o que tinha pra fazer, naquele momento de dificuldade.

Eu vou dizer uma breve mensagem, que vale a pena se alguém foi infeliz no passado, a felicidade pode renascer pra qualquer um, e eu vou falar uma mensagem de otimismo, né, somos todos um elo de emoções infinitas, a vida é um mar de rosa, onde o passado renasce o presente e se confunde com a lembrança. Enquanto muitos lutam pela conquista de um raio de sol, outros preferem se isolar na sua própria escuridão, vamos dar evasão ao pensamento, deixar esse sentimento sutil flutuar por toda sua epopeia e sonhar? O que passou, passou… se ontem foi tempestade, hoje um vento brando virá limpar o presente, retirando poeiras e folhas soltas do talo. Nada de tristeza, pois o mais triste da vida é a tristeza. Vamos dar chance aquela pontinha felicidade que quer explodir dentro do peito? Afinal de contas, todos merecemos ser feliz, e você que ‘tá’ me ouvindo nesse momento, você também merece ser feliz como todos outros, enfim. Muito obrigado pela entrevista, a minha vida foi essa.”

Tags: Agricultor, Corpo Inteiro, Em pé, Fazenda, Homem, Individual, Presidente Prudente, PROAC, São Paulo, Sudeste, Tomás Cajueiro, trabalhador

Informações

Cidade
São Paulo – SP
Data
Junho 2017
Fotógrafo
Rogério Padula
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