A minha luta

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A minha luta

“Sou Paula Blanco, tenho 38 anos, sou moradora do Capão há 36 anos e nunca saí daqui. Minha infância aqui no bairro foi muito tranquila, se passou praticamente dentro de um condomínio, então eu acabei não sofrendo muito a influência do que era uma convivência na rua, ou até de assistir a violência que se contava na época. Sempre tive coisas que me propiciaram uma vida além do bairro.

Minha mãe, por exemplo, sempre foi professora de escola pública no Capão, mas meus pais preferiram me colocar em escola particular e por isso estudei a vida inteira em Santo Amaro. Tive acesso à educação que não sofria greves, talvez uma educação um pouco mais rigorosa. Posso dizer que sou uma moradora do Capão Redondo, que tive oportunidades na minha vida, graças ao empenho dos meus pais. Sempre tive acesso à escolas particulares, cursos de línguas.

Mas é curioso que eu sempre tive amigos aqui, sempre me dei muito bem com as pessoas aqui do bairro. Tenho amigos aqui desde os 2 anos de idade e muito mais amigos daqui, do que das escolas que frequentei. Com eles eu não mantive muito os laços, simplesmente não aconteceu.

Uns 10 anos atrás eu ‘tava’ dentro de casa e recebi um guia de comércio. Ali conheci a Fábrica da Criatividade já achei incrível! Li que era um espaço que tinha uma pegada mais social, ofereciam cursos de cultura e arte a preços bem acessíveis, ou então gratuitos. Foi só uma questão de tempo, até que um dia eu tive a oportunidade de trabalhar aqui. No meu subconsciente eu sempre gostei muito daqui e pensava o porquê não trabalhar aqui nesse lugar, o porquê não ser a pessoa entre o mundo dos cursos e as pessoas que moram aqui no entorno. Desde que a Fábrica nasceu, o propósito é dar oportunidade às pessoas que não têm o acesso tão fácil ao centro. Sou muito feliz com o que eu faço, podendo facilitar com que grupos novos venham desenvolver novos trabalhos de artes, aqui eles encontram o carinho de pessoas que querem ajudar a fomentar o sonho dessas pessoas.

Hoje, depois de tantos anos de Capão, de Fábrica, sou uma pessoa mais realizada, mas que vê inúmeros desafios, acho que isso é muito legal. Acho que você ver, que através de um trabalho, você consegue movimentar muita coisa bacana e, que ainda tem muita coisa pra fazer, os desafios vão fazer você se engajar, pra que as coisas realmente aconteçam. Então, hoje a Paula tem fome de fazer as coisas acontecerem.”

Tags: Adulto, Artistas, Em pé, Individual, Mãe, Meio Corpo, PROAC, Rogerio Padula, Rua, São Paulo (Cidade), Sudeste

Informações

Cidade
São Paulo – SP
Data
Junho 2017
Fotógrafo
Rogério Padula
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