Casa em casa

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Casa em casa

Sai do Brasil pela primeira vez em fevereiro de 2011, quando fui para a Nova Zelândia. Lá cheguei sem conhecer ninguém e sem saber falar inglês, então foi bem complicado no início. Na primeira semana fiquei até bem triste, isolado, porque estava muito difícil de interagir. O dinheiro foi acabando e eu comecei a pensar que ou teria que começar a me virar ou voltaria para o Brasil, algo que eu não queria que acontecesse, principalmente por dinheiro. Se algum dia eu voltar, será por vontade própria! Durante o meu período na terra dos kiwis eu tive um relacionamento mas infelizmente o visto dela estava para terminar e decidi seguir minha vontade de ficar com ela então nos mudamos para Tóquio, onde ficamos por três meses. Aí o plano era que, pra ganhar mais tempo com o visto, iríamos para a Itália e voltava para Tóquio com o meu passaporte italiano. Mas acabei não voltando para o Japão porque meu namoro tinha terminado. Foi quando decidi ir para Londres, já que um amigo meu de infância morava lá. E nossa, Londres foi fantástico, foi um período muito bom.

 

Me questionar sobre qual é o país onde me sinto melhor morando é uma pergunta que sempre me pega, inclusive porque acabei de voltar para a Nova Zelândia depois de morar quase dois anos em Londres. E me mudei de novo porque não consigo decidir onde me sinto melhor morando. Se eu soubesse estaria morando nela. Mas é difícil de falar, porque todo lugar tem uma coisa especial, algo a mais. Sem sombra de dúvidas, Londres com certeza é a maior e mais louca até hoje. Esses dois lugares, Londres e Nova Zelândia, foram onde morei por mais tempo, só que também teve Japão que é um lugar maravilhoso, cheio de luz, de vida, comida excelente, muito difícil mesmo falar qual é o melhor lugar. Até porque eu não acredito que tenha o melhor lugar, eu acho que eu vou encontrar o lugar onde vou me sentir mais confortável, que eu possa me sentir em casa.

 

A Nova Zelândia é uma grande candidata pra isso, é um lugar onde me sinto muito bem. Por isso voltei com a esperança de descobrir se realmente aqui é o lugar onde me sinto em casa. Mas hoje falo que Londres sai na frente, pelo tamanho da cidade, diversidade das coisas, oportunidades e possibilidades. Londres ganha um ponto! Mas questões culturais, claro que varia totalmente de país para país. Por exemplo, dos lugares que eu passei, o Japão foi o mais marcante porque lá o choque cultural é gritante, mas isso positivamente. Londres também, as pessoas super educadas, pontuais, aquele jeito certinho de ser, só que não é tão diferente assim de outros lugares, não senti um choque muito forte lá.

 

Posso falar que cada momento que guardo das minhas viagens são inesquecíveis, sempre é uma coisa nova, diferente, novas pessoas, novos lugares. Mas um dos momentos que me lembro bem foi quando cheguei na Nova Zelândia, na primeira vez que morei lá, estava com meu amigo Luiz que também é brasileiro e que conheci lá, e nós fomos para Piha, uma praia na ilha norte. Foi um momento bem legal, inesperado, porque estávamos de carona com um cara local, dois coreanos, eu e ele. O carro estava super lotado, não tinhamos feito nenhuma reserva, mas fomos embora para a praia. Chegamos lá, começamos a curtir, só que estavámos totalmente sem planos de como fazer pra ficar lá, começamos a procurar pousadas, acampamentos, estava tudo lotado. Pensamos em continuar curtindo mais e voltar. Aí dentro d´água vi que tinha um cara que estava brincando de futebol americano com o filhinho dele e eu fui falar com ele se podia jogar junto. Papo vai, papo vem, o cara era super simpático, contou que estava lá para uma produção de algum filme e estavam curtindo a praia enquanto as filmagens não retornaram. Até que ele perguntou onde nós estávamos hospedados e explicamos que tentamos procurar algum lugar e não achamos. Aí ele disse -“Olha, eu acho que lá onde estamos ficando é como se fosse um retiro, então, se bobear até tem um espacinho que dê pra vocês ficarem, se quiser posso perguntar”. Ele perguntou e deu certo! Então concordamos em dormir no carro em uma tenda que arrumaram para nós, tivemos que pagar uma taxa super simbólica só para cobrir os gastos do café da manhã e do churrasco. E era num lugar mágico esse retiro, atrás das montanhas que ficam perto da praia, como se fosse um vale secreto. Foi surreal e eu fiquei muito, muito feliz!

Acredito que sempre temos que ter energia para recomeçar, mas nunca é fácil recomeçar do zero, é cansativo. Mas agora que voltei para a Nova Zelândia, não considero um recomeço do zero, mas sim que será a primeira vez que volto para um lugar onde já comecei uma vez e onde tenho amigos que estavam felizes esperando por mim. No fundo mesmo creio que “casa” será sempre onde eu tiver pessoas que se importam comigo e isso me lembra uma mensagem que tem na camisa que fizemos para uma turma de amigos de muitos anos que se aplica a todas minhas verdadeiras amizades – “Leva muito tempo para se ter um velho amigo.’

Tags: Adulto, Europa, Europa Individual, Londres, Tomás Cajueiro, trabalhador

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Informações

Cidade
Londres - GB
Data
Agosto 2015
Fotógrafo
Erica D. Dezonne
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