Ensinar desafios

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Ensinar desafios

“Meu nome é Cistina Maria Luísa da Silva, eu tenho 36 anos, tem 20 anos que eu saí de Macaé, eu moro em Paraty e trabalho aqui no sertão de Ubatumirim, nessa escola já fazem 3 anos. quis muito trabalhar aqui, me identifiquei com a comunidade, com as carências, é um desafio educacional, social e pessoal mesmo, trabalhar dentro dessas condições e lidar com tudo isso, é bem difícil mesmo.

M: meu nome é Cistina Maria Luísa da Silva, eu tenho 36 anos, tem 20 anos que eu saí de Macaé, eu moro em Paraty e trabalho aqui no sertão de Ubatumirim, nessa escola já fazem 3 anos. quis muito trabalhar aqui, me identifiquei com a comunidade, com as carências, é um desafio educacional, social e pessoal mesmo, trabalhar dentro dessas condições e lidar com tudo isso, é bem difícil mesmo.
Os desafios são muitos. São muitos. A gente se depara com situações que a gente nunca imagina passar. um caso que me marca bastante é o do meu aluno surdo, ele é um aluno de 12 anos que esteve na rede de ensino desde sua primeira infância e não sabe se comunicar com o mundo, uma criança que não tem comunicação nem com os pais. então é o caso que mais me chocou, é meio que inexplicável uma criança da idade dele chegar até aqui sem saber nenhum meio de comunicação.

Primeiro eu me desesperei, quando eu recebi ele eu me desesperei porquê a tal inclusão que é tão dita, tão bonita no papel, ela é inexistente. pode ser que um caso ou outro se chegue próximo, mas aqui no nosso meio educacional não tem. o meu desespero foi no fato de receber esse aluno e não ter nele apenas um aluno pra se socializar com outros alunos, eu entendia que ele tem que aprender uma comunicação em comum, tanto com o ouvinte tanto com o surdo. isso começou ano passado, já no 5º ano, ele não sabe ler, escrever, não lê lábios, e aí começou o meu desafio. como conseguir alcançar esse aluno?

É uma comunicação única dele, a mãe dele fala com ele e ele é surdo, como se ele ouvisse… os desafios foram desde ensinar ele a comer, a interagir com os alunos na sala de aula… no começo a minha preocupação foi da prefeitura me fornecer apenas um agente pra cuidar dele, e eu não queria isso. hoje, veio a minha história e do Roger, eu pedi alguém que soubesse libras, a função do Roger que é a de interlocutor, mas como ele pode ser intérprete de um aluno que não entende a libras? né? então tem sido um grande desafio, nós fizemos um projeto, escrevemos durante as férias, ele começou a entender o porquê nós estávamos usando aquela língua de sinais, porquê até isso ele não sabia… e não adianta ensinar libras pro Wesley e mais ninguém saber libras, então a gente tenta ensinar pra todo mundo.”

Tags: brasil, Em pé, Meio Corpo, Mulher, PROAC, professora, São Paulo, Sudeste, Tomás Cajueiro, Ubatuba

Informações

Cidade
Ubatuba – SP
Data
Maio 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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