Família e Rua

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Família e Rua

‘Já fazem cinco anos que estou na rua. Minha família é de Americana, mas infelizmente eu não tenho condição de estar com eles. Não moro mas tenho contato, sabe. Afinal eles estão todos lá, inclusive meus 7 filhos ! Sempre quando posso converso por telefone pra saber como estão as coisas, vou pra lá, durmo um ou dois dias. Me preocupo com minhas filhas sabe, já são tudo grande, de maior. EU tenho um pouco de vergonha das coisas que fiz e das dores que causei nelas, mas é algo que estou superando e logo logo vou estar mais próximas. Sabe, já fazem dois anos que conheci o Leandro, moço que mudou minha vida e começou a colocar ela no eixo.

EU sempre falo pra elas, e aproveito seu trabalho pra falar pra todo mundo: pensem bem tudo que vocês fazem. Você pode fazer escolhas no calor da situação, as vezes com um pouco de cachaça na cabeça, e ai depois a vida mostra sem piedade como você estava errada. Essas pessoas que tem casa e família não sabem como a rua é difícil. Sabe, dependendo de onde você vai você simplesmente corre o risco de dormir e não acordar seja por pessoas que batem ou tacam fogo. Ainda mais se você é mulher, a coisa fica bem mais difícil porque o pessoal abusa e fica mais difícil ganhar seu respeito. Eu graças a Deus agora encontrei um grupo maravilhoso de pessoas que me tratam como parte da família. Então mesmo na rua parece que eu tenho família. Mas nem sempre é assim, tem gente que aproveita da nossa condição e faz coisas horríveis.

Mas a rua também nos mostra que tem muita gente boa por ai. Eu tenho que agradecer muito ao Padre Dalmirio, aqui da igreja, e falar que o que ele está fazendo pela gente não tem dinheiro que pague. É muito difícil encontrar gente como ele que nos olha na alma e não nos julgue por erros e tropeços que já demos na vida. Nos olha e trata como seres humanos. Já estive em várias cidades que você passava na igreja e o padre até dava um café e um pão pra você. Mas não é só comida que a gente precisa, precisa é de carinho e respeito. Amor. Isso que o Padre Dalmirio nos deu. Nos mostrou que somos pessoas, mesmo quando jogadas na rua, com problema com droga e sozinha. Somos seres humanos. O que ele faz vale mais que qualquer dinheiro ou pão que as pessoas possam dar, e esse amor sem julgamento, sem condição. Só amor mesmo.’

Tags: Adulto, Em pé, Igreja, Individual, morador de rua, Mulher, São Paulo, Sudeste, Tomás Cajueiro, Valinhos

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Informações

Cidade
Valinhos –SP
Data
Julho 2016
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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