Fortalecer a comunidade

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Fortalecer a comunidade

“Meu nome é Emerson José Moura Cerqueira, conhecido como Barata, através disso o pessoal me chama de Emerson Barata. Hoje eu ‘tô’ na União de Moradores como presidente, ‘tô’ na União há 8 anos, representa toda nossa comunidade. Eu nasci em Paraisópolis, minha mãe não teve o tempo de chegar ao hospital, ela me teve dentro de um fusquinha indo pro hospital, moro em Paraisópolis tem 31 anos. Meu mundo foi sempre jogar bola, joguei bola profissionalmente 16 anos, vi os dois lados, o lado bom de poder sair de Paraisópolis e hoje com todo esse desenvolvimento, antes era só terrão, só mato, e hoje olhando pra esse trabalho que eu tenho prazer de fazer parte é até difícil falar, mas contando eu tive o prazer de ter essa oportunidade e como presidente da União proporcionar algo diferente pra outras crianças, igual eu queria quando era pequeno, então nesses 16 anos eu tive oportunidade de jogar no Bragantino, no Japão, fui pra Europa… então pô, que legal, eu posso ajudar outras pessoas agora… mas ao mesmo tempo tem o outro lado, aquele moleque que sente saudade dos pais, de casa, então você pega um menino que sai do país cedo, fui pai aos 15 anos também, então foi tudo muito louco as coisas… então conforme você vai pegando experiência, ficando mais velho, você vai entendendo, teve o lado bom e também teve o lado ruim, coisas que a gente faz pela profissão e até tranquilizar os pais.

Fiquei no Japão 5 meses, mas aqui no Paraisópolis eu ficava muito pouco porquê eu jogava muito fora, ao mesmo tempo via aqui só barraco, sem creches, sem escolas… então nesse meio tempo também tinha o meu filho, então o meu pai e minha mãe também me ajudaram a assumir esse outro lado, graças a Deus as coisas foram dando certo, e uma hora chegou que eu tinha que trabalhar, não podia ficar nessa aventura, e nesse caminho todo aconteceu de em 2004 parar de jogar e trabalhar mesmo, foi onde arrumei um emprego, trabalhei 6 anos no OutBack, e nesse caminho eu fui vendo todo esse trabalho em Paraisópolis, até que numa discussão aqui, e por jogar bola, pela minha família morar aqui há mais de 60 anos acabaram discutindo e pra mim ‘tá’ na associação, a história foi até engraçada, a diretoria ‘tava’ discutindo pra trazer outras pessoas, a Elizandra lembrou de mim, falou “tem um rapaz lá que chama Barata, todo mundo conhece ele, vamos ver o que dá pra fazer” na época eu já ‘tava’ separado também, fui entendendo o trabalho, e daí pra lá eu não saí mais, percebi que eu podia ajudar minha comunidade também, percebi que eu podia dar aulas com o meu conhecimento, então graças a Deus ‘tô’ aqui até hoje dando oportunidade pra outras crianças… quando começou esse trabalho, metade de uma rua era asfaltada e o resto era tudo terra, hoje em Paraisópolis tem 13 escolas, 3 UBS, 4 bancos aqui dentro, as pessoas falavam que se abrisse banco em Paraisópolis fechava no dia seguinte… então é aquela questão, poder dar qualidade de vida pras pessoas que moram no seu bairro, quem ganha é a comunidade, e esse é o objetivo, fortalecer a comunidade, o morador tem que participar, o benefício é de todo mundo. O morador tem que trabalhar dentro de Paraisópolis, o morador hoje que mora no centro leva 2 horas pra chegar no centro e 2 horas pra voltar, então o pai e a mãe perde 4 horas no trânsito, se ele trabalha aqui ele ganha 4 horas com a família, 4 horas que podem ser de estudos, então tem essa liberdade maior trabalhando aqui, gerando e fortalecendo o comércio local.”

Tags: Em pé, Meio Corpo, São Paulo, São Paulo (Cidade), Sudeste, trabalhador

Informações

Cidade
São Paulo – SP
Data
Junho 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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