Fotografia e Capão

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Fotografia e Capão

“Meu nome é Anderson, Anderson Vieira, tenho 28 anos, sou conhecido como Tom, apelido de família, desde pivete me chamam assim. Moro no Capão há uns 15 anos, sou de Vitória da Conquista, na Bahia, vim pra cá com 2 anos, aquela famosa história da família que vem tentar a sorte na terra da oportunidade. Desde que cheguei eu morei em vários lugares de São Paulo, mas o lugar que eu mais me estabilizei foi aqui. Minha infância aqui, tudo que eu pude curtir, a gente curtiu, a gente jogou muita bola, as brincadeiras tradicionais mesmo, o que a gente pôde curtir a gente fez.

Atualmente eu trabalho como fotojornalista, eu comecei a carreira de fotojornalista ainda quando eu ‘tava’ estudando, só que esse trâmite eu comecei no final de 2014. Em 2015 eu tive um fato triste que foi o falecimento do meu pai, depois eu dei uma parada, entrei numa depressão louca, a ponto de querer desistir de viver mesmo, eu curtia muito meu coroa, quem conhecia meu pai não falava que ele ia falecer, muita gente hoje nem acredita. Meu pai era muito forte e o problema de coração foi que fez ele romper a barreira e levou ele pro outro lado. Enfim, em 2015 eu entrei nessa depressão, tentei várias vezes vender meu equipamento, tentei desistir mesmo da área da fotografia, não conseguia vender o equipamento, e ao mesmo tempo que eu tinha a depressão eu tinha muita visão fotográfica, eu tinha vontade fotografar, mesmo trabalhando eu consegui um emprego de entregador de móveis, trabalhava num caminhão fazendo entrega em período integral, chegava a noite e começava a fotografar na rua. Aí eu tive uma oportunidade de trabalhar com isso e me entreguei de vez, e a fotografia eu descobri por um acaso, mas é aquilo, nada é por acaso, se não fosse ela eu ‘tava’ deprimido numa cama, talvez nem estaria aqui… eu perdi meu pai e a fotografia me recuperou disso tudo.

O maior sonho nosso, digo meu e da minha família, foi ganhar esse CDHU, que antes de morar aqui, há mais de 15 anos, a gente morava no Nakamura, lá no Jardim Ângela. Lá a violência era tremenda, minha mãe percebeu que eu ‘tava’ me envolvendo, lá era tudo perto, tinha a biqueira que era na frente da nossa casa, depois tinha aonde eles fabricavam, ‘tá’ ligado? E aí minha mãe se inscreveu em várias coisas, então ela se inscreveu começou a pedir muito pra Deus, aí chegou um cara lá que ganhou esse apartamento e não tinha condições de manter e perguntou se não a gente não queria fazer a troca, e nesse trâmite a gente conseguiu aqui. Aqui a gente vê de tudo, tem de tudo, mas com certeza foi um dos melhores lugares que a gente residiu até então em São Paulo foi aqui.

Capão Redondo ele tem todo tipo de visão, mano, depende do que a pessoa vai ver nele. Eu vejo um Capão cheio de esperança, não ‘tô’ querendo esconder a criminalidade, mas em todo lugar tem menor infrator, tem ladrão roubando, explodindo caixa eletrônico mas tem político engravatado roubando também… então o que você vê de bom ou de ruim, você só vai enxergar se tiver no próprio local, todo local tem os dois lados da moeda, o Capão Redondo é um Capão de cultura, de lazer, de poesia, de literatura, esse é o Capão que eu acredito.”

Tags: Adulto, Artista, Em pé, FOTOGRAFIA, Homem, Meio Corpo, PROAC, Rua, São Paulo, São Paulo (Cidade), Sudeste

Informações

Cidade
São Paulo – SP
Data
Maio 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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