Idas da vida

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Idas da vida

‘Eu nasci em São Paulo, na Lapa de Baixo, perto da linha de trem, em um lugar que era conhecido como “vilinha”. Lá fiquei até os 6 anos de idade quando nos mudamos para a casa de minha avó na Brasilândia. Na época meus pais tinham uma papelaria/bazar que entrou em crise devido à expansão dos camelôs da Rua 12 de Outubro e como não havíamos terminado de construir uma casa nova e estava insustentável pagar aluguel.
O que foi muito marcante no meu crescimento é que eu tive uma infância muito parecida com a vida no interior: pude jogar bola na rua, empinar pipa, aprendi a fazer e soltar balões e até mesmo peão e bola de gude foram passatempos. Ao mesmo tempo tive que conviver com a extrema desigualdade social que é tão marcante em nosso país. Tive que aprender a me defender, garantir meu espaço e me virar e até mesmo saber lidar com o crime. Percebi que muitas crianças (sim, crianças) da mesma idade que eu, foram influenciadas de maneira negativa por essa vida, porém eu tive a sorte de ter pais extremamente atenciosos, que decidiram fazer muitos sacrifícios para priorizar uma boa educação para mim e de meus irmãos (tanto na escola quanto em casa) e a cabeça para não me deixar levar por esse lado, pois oportunidades não faltaram. Quando eu estava na quarta serie fiz uma prova e consegui uma bolsa de estudos pelo Colégio Objetivo. Essa conquista foi marcante para mim porque ela que me deu condições de conseguir ingressar na USP, em um curso extremamente concorrido, que é o bacharelado em Audiovisual.
A crise no Brasil fez dos meus dois últimos anos muito difíceis e em novembro do ano passado (2015) fui convidado para ser responsável pela criação do cenário de uma peça de uma escola de circo em Londres utilizando projeção de video. Como minha mãe é portuguesa e eu não preciso de visto para morar na Europa, decidi viver aqui por um tempo para trabalhar, melhorar minha carreira, fazer cursos e se tudo der certo fazer uma pós-graduação.
Não está sendo fácil conseguir um emprego fixo na minha área, o mercado de audiovisual geralmente trabalha com indicações, o que não tenho por ainda não conhecer muitas pessoas. Mas aqui tem que se gastar um bom tempo entendendo como fazer um bom currículo, uma boa carta de apresentação e um portfólio satisfatório. Acho que consegui finalmente criar um material satisfatório para os padrões daqui então recentemente tenho recebido mais respostas e sinais de interesse de empresas. No momento estou na terceira fase de uma entrevista para uma vaga dos sonhos, esperando ansiosamente pelo resultado.

Meu objetivo de vida é poder trabalhar com o que eu gosto e fazer algo que seja relevante para a sociedade, que eu possa com meu trabalho causar um impacto real e mudar a vida das pessoas para melhor. Eu trabalho com video e com arte e é uma grande responsabilidade manipular conteúdos midiáticos, pois estamos lidando com imagens e com o subconsciente das pessoas, e o potencial dessa ferramenta é infinito. Não há como calcular o que pode vir a ser a conseqüência do contato que uma pessoa um dia teve com um filme ou alguma mensagem audiovisual. Quem nunca teve sua vida transformada, ou ao menos conhece’ alguém que o teve, por conta de algum filme, alguma notícia ou algum material midiático que teve acesso?

Tags: Artistas, Ator, Erica Dezonne, Europa, Homem, Individual, Inglaterra, Londres, Teatro

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Informações

Cidade
Londres - GB
Data
Abril 2016
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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