Luta difícil

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Luta difícil

“Meu nome é Antônio José Rodrigues, conhecido como Antônio da Ave-Maria, tenho 71 anos, 14/07/1945. Quando eu entrei na terra eu tinha 53, então quando a gente chegou aqui a gente chegou em 2003, dentro dessa área aqui tem 5196 hectares. Quando a gente entrou era tudo cheio de eucalipto, aí foram cortando eucalipto e a gente foi expandindo os barracos. Cortavam eucalipitos, cresciam os barracos. Assim foi indo até que de repente chegou a primeira liminar pra gente sair da terra que tinha dono, e isso foram os grileiros, então não foi nada diferente do que um grileiro.

A luta foi difícil mas graças a Deus nós ‘cheguemo’ lá, com muita garra, fizeram propostas pra gente desocupar, e o Bueno que já se foi até teve uma proposta de dinheiro dos grileiros, eram 17 grileiros que diziam que essa área era toda deles. No entanto depois que a gente foi assentado em 2007 a proposta também foi de levar a gente pra longe, então eles também pagavam os juízes pra tirar a gente, aí o Ministério Público pegou a causa nossa e o presidente Lula que assentou a gente em 2007. Essa área aqui era do Estado, pra assentar teve que desembolsar 33 milhões, governo vendendo terra pra governo, já pensou? Pra nós a luta valeu a pena, enquanto tiver trabalhador na cidade que precisa ‘tá’ na roça, tem muita terra no Brasil pra fazer reforma agrária, se não tiver luta não cai nada de mão beijada, o trabalhador tem que parar de ter medo e enfrentar a zona rural. Enquanto o trabalhador tiver sofrendo na cidade as coisas não vão melhorar.

É fácil a luta? Não é, mas não tem outro jeito. Os grileiros não querem as reformas, mas o trabalhador tem que correr atrás. Um dia um cara falou pra mim “na época do FHC eu fiz um cadastro” e eu falei “você vai esperar sentado, nunca você vai ter essa terra, isso ele fez pra não fazer reforma agrária” então tem que lutar, tem que abrir um espaço e ir plantando. Se fosse pra mim comprar isso aqui que eu ‘tô’ custava 1 milhão de reais, você acha que eu teria esse dinheiro? Nunca, aqui é o filé mignon do Estado, a gente lutou junto, seguramos na mão de Deus e vencemos. Teve muita proposta de dinheiro pra tirar a gente daqui, é difícil uma pessoa lutar assim, mas começamos a plantar, fazer cerca pra poder ter bezerro, tela pra poder ter galinha, depois chegou os tiojos pra nós fazer as casas, tudo o governo que mandou. Não terminamos as casas, era pra ter entrado mais um dinheiro e não entrou, mas a gente ‘tá’ esperando que vai melhorar.”

Tags: Adulto, Agricultor, Bauru, Em pé, Fazenda, Homem, Meio Corpo, MST, Praça, PROAC, São Paulo (Cidade), Sudeste, trabalhador

Informações

Cidade
Bauru – SP
Data
Abril 2017
Fotógrafo
Jardiel Carvalho
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