Meu Capão

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Meu Capão

“Meu nome é Erasmo Cássio Ferreira, eu ‘tô’ com 46 anos. Eu sou nascido em Mirabela, município de Montes Claros, em Minas Gerais. Lá no Estado de Minas eu fui criado com uma sueca, filho adotivo de uma sueca, quase como se fosse um orfanato, e depois de 17 anos eu vim conhecer São Paulo. Meu amigo morava aqui na rua, e aí ele foi e me trouxe. A minha mãe voltou pra Suécia novamente, eu sou filho adotivo, o visto dela acabou e ela voltou. Como eu não tinha o meio de me manter lá, eu achei que melhor seria São Paulo, tentar aqui… vim direto pra cá, no intuito de trabalhar junto com o meu amigo.

A adolescência aqui no Capão foi meio precária, eu tinha que trabalhar, e ao mesmo tempo manter meus filhos em Minas. Então tinha essa necessidade de trabalhar e manter minha família, só que eu não tinha como, aí eu fui trabalhar e ao mesmo tempo queria alcançar meu objetivo, que era no caso aula de capoeira, hip-hop. Nesse intuito que eu vim desenvolvendo essa ideia e até então eu tenho uma história um pouco meio emocionada, porquê hoje os adultos eram os meninos do passado, então é uma história que me emociona até as vezes. Eu vi pequenos e hoje já vejo o filho deles… então é uma coisa comovente.

Hoje sou muito envolvido com a cultura do grafite e hip-hop. Quando eu cheguei aqui eu comecei a dançar, aí as crianças encostavam perto de mim, querendo carinho, sabe? E aí peguei isso, fui desenvolvendo, a própria família queria saber quem eu era, qual o meu interesse em ajudar a comunidade, essas coisas. Quando eu cheguei em 1996 os jovens de hoje eram crianças, eu tinha um pouco de dificuldade, as vezes eu deixava de me alimentar pra manter eles, eu comprava um Dolly, comprava um pouco de bolacha, e nesse percurso eu tive vários desacertos e acertos também. Na época que eu nasci, nascia ladrão e morria ladrão. A região do Capão Redondo tinha uma imagem diferente de hoje. Hoje eu vejo com outros olhos, eu fazia tudo porquê amava mesmo, gostava da cultura. Eu colho hoje, as crianças hoje, ver elas hoje. Isso é a recompensa.

O Capão mudou. As pessoas precisam conhecer aqui, tirar o imediatismo da cabeça. As coisas mudaram. O índice de criminalidade caiu, o índice não é mais aquilo que a mídia reproduz, a indústria do medo acabou, aqui tem pessoas estudadas, pessoas dignas, pessoas com educação ética boa. Eu acredito que a gente precisa entender o Capão, não mais aquele famoso Capão, ‘tá’ aberto a porta pra todo mundo hoje em dia, aquela violência corriqueira toda sociedade tem, o meu propósito é tirar o foco do Capão, aqui tem pessoas boas que precisam de ajuda. As vezes esse medo afasta as pessoas boas de vir pra cá.”

Tags: Adulto, Artistas, Cantor, Em pé, grafite, Homem, Individual, PROAC, Professor, Rogerio Padula, Rosto, São Paulo, São Paulo (Cidade), Sudeste

Informações

Cidade
São Paulo – SP
Data
Junho 2017
Fotógrafo
Rogério Padula
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