Minha luta

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‘Minha história com trabalhos voluntários começou em 2009 quando eu precisava conseguir uma bolsa na faculdade. Em pouco tempo a obrigação virou paixão. Dois anos depois nasceu o ‘Grupo Fazendo Sempre’ com o objetivo de promover momentos especiais para crianças residentes nos abrigos de Campinas. Com o tempo, fui vendo que o trabalho voluntário nos faz crescer a aprender a ver o outro, a sentir a necessidade do outro.

Lembro-me em uma ocasião, numa noite bem fria que fez no ano passado, nós estávamos distribuindo cobertores, quando todos já tinham acabado, uma pessoa passou e disse que tinha visto um desabrigado a duas quadras dali e que usava apenas um pedaço de papelão para se cobrir. Essa pessoa comentou: ‘se não leverem algo para ele, não passará dessa noite.’ Estava me sentindo impotente e insignificante. Eu já estava indo para casa buscar algo quando uma das voluntarias dobrou a esqueuina na nossa direção com um edredom gigante ! Sério, era gigante mesmo ! Corremos até o local onde a pessoa estava. Era um senhor, que tinha seus pés descalços para fora do papelão, ele tremia de frio em baixo da marquise de uma agencia bancaria ! Então cobri enquanto falava para ele que logo ficaria quentinho com aquele edredom. Nessa hora eu já estava tremendo também, mas de emoção, tristeza e angústia e ter que ir embora e deixa-lo lá, naquela situação.

Outro momento marcar para mim foi na primeira vez que visitei um abrigo. Lá conheci um menino chamado Pedro, que na época tinha 8 anos. Criamos uma afinidade desde o inicio pois não desgrudamos mais o dia todo ! Na hora de ir embora, ele veio no meu colo e quando eu disse que tinha que ir ele começou a chorar. Me pedia que não o abandonasse. Ele dizia: ‘por favor pai, me ‘adoa’ , não me deixa aqui.’. Eu disse que não podia leva-lo e fui embora, chorando muito também. Nunca mais abandonei o Pedro, isso aconteceu há quatro anos e hoje ele passa os finais de semana comigo e me chama de padrinho.

Isso tudo dá uma sensação muito noa pra deitar e dormir e perceber que alguma forma alguém se beneficiou com algo que eu fiz. Que diante de um mundo tão caótico, onde as pessoas se preocupam apenas consigo, eu consegui pensar no outro e dedicar meu tempo e recursos para o bem comum, o bem coletivo. Acho que cumpro um papel importante para a sociedade pois por menores que sejam as ações, o exemplo sempre fica.’

Tags: Adulto, Campinas, Erica Dezonne, Homem, Individual, São Paulo, Sudeste, Voluntário

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Informações

Cidade
Campinas -SP
Data
Agosto 2015
Fotógrafo
Erica D. Dezonne
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