O Caqui

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O Caqui

“Meu nome é Carlos Alberto Capeletto, tenho 53 anos. Hoje trabalho com produção de Caqui, mas nem sempre foi assim. Quando meu avô comprou a propriedade aqui era fazenda de café, aí o fazendeiro, com a crise do café, ficou mal das pernas e aí vendeu para os colonos. Meu avô era um desses colonos e adquiriu a propriedade, com um prazo de 3 anos pra pagar. Com os filhos começou a plantar e a plantação já do meu avô era uma plantação de subsistência, comprava na cidade só o açúcar e o sal, o resto produzia tudo aqui. Meu avô começou com uma diversidade de plantação, já foi acabando com o café e fazendo outras coisas, tomate e plantio de hortaliças. Aqui a gente ‘tava’ perto de Vinhedo, ele pagava pela Itatibense, pelo trem, e aqui nós mandávamos direto pra Paulista em Vinhedo, pagávamos 1 frete só pra ir em São Paulo a mercadoria.

O caqui começou aqui pra nós no Brasil por volta de 52, 53. Foi em 53 que ele conseguiu com um pessoal lá do mercadão umas mudas de caqui. Demorava 2 ou 3 anos pra poder enxertar, fazia o enxerto do caqui igual fazia o da uva, o pé tinha que ter um diâmetro, fazia o racho e colocava a cuia em cima, amarrava o papel e colocava a terra pra ficar úmida. Esse pé, pra se formar, demorava de 2 a 3 anos pra sai e nem todos acabavam saindo, alguns não saíam. Não foi fácil o começo. Eu já peguei a coisa mais caminhando, não sei se é loucura ou  se é costume, mas acabamos ficando nesse sofrimento e ‘tamo’ aí até hoje.

Hoje o caqui já mudou novamente, antes era bem melhor remunerado, agora a gente ganha no volume e não na qualidade. Primeiro aqui com 200 pés de caqui uma família sobrevivia o ano inteiro, hoje não dá mais, já não tem o valor agregado de toda essa fruta. E por isso a gente tem que ir diversificando.”

Tags: Agricultor, Em pé, Homem, Individual, Itatiba, Meio Corpo, PROAC, São Paulo, Sudeste, Tomás Cajueiro, trabalhador

Informações

Cidade
Itatiba – SP
Data
Maio 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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