O Fotógrafo

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O Fotógrafo

‘O Elcio brasileiro é um cara que adora gente! Gente, gente, gente, e é por isso que eu fotografo gente, gosto de fotografá-las e viver o dia a dia das pessoas.

Sempre gostei de foto. Me lembro quando criança que ficava vendo as fotos em preto e branco dos meus avós, tias, irmãs, não existia foto colorida naquela época. Na adolescência comprei minha primeira câmera, uma FX2 da Nikon. Comprei usada de um cara e comecei a fotografar, até que decidi que queria ser fotógrafo. Fotografava tudo! Bicho, gente, rua, árvore, flor, tudo o que eu via na rua. Eu não tinha uma linha determinada, mas vi que sempre gostava de fotografar gente. Em 1983 entrei em Jornalismo, mas não para ser jornalista, queria ser fotojornalista. Tanto é que tinha um jornal de alunos e eu não gostava de escrever. O que eu fazia? Pegava todas as pautas e fazia as fotos. Todas as fotos do jornal eram minhas. Até que uma época resolvi montar um laboratório de fotografia no meu quarto. Comprei ampliador, todo o material. Era meu quarto de dormir, então eu fechava a janela, colocava sacolas plásticas pra ficar bem escuro e aí eu revelava. Foi então que comecei a ganhar dinheiro com isso pois as pessoas começaram a me procurar para revelar e ampliar foto.

Quando terminei a faculdade, um amigo meu chamado Ari trabalhava no jornal de Sumaré e me chamou para trabalhar lá com ele. Eu já logo disse ‘To indo amanhã’!. Já fui no dia seguinte mesmo, cheguei lá e comecei a trabalhar no mesmo dia. Fiquei só dois, três meses lá, até ser chamado para trabalhar no Diário do Povo. Já são 25 anos de jornal, no mesmo grupo. O Diário do Povo primeiro se juntou ao Grupo RAC, do Correio Popular, e há alguns anos atrás ele foi extinto, hoje faço parte do Correio Popular.

Com a fotografia, percebi que vejo um mundo diferente das outras pessoas, pois sou um cara muito otimista. Eu acho que tudo pode ser melhor, que as pessoas podem ser melhores, mais humanas, e eu trabalho pra isso, pra mostrar que o mundo não é isso que a gente vive ou que a gente acha que é. O mundo é muito melhor e muito mais bonito do que as pessoas acham.

Eu não fotografo por fotografar. Eu fotografo para que possam ver a realidade, como quem faz trabalho voluntário, pessoas que dedicam um tempo da sua vida para ajudar os outros, para fazer o bem, e eu retrato essas pessoas para que as outra vejam e sigam o caminho.

Nunca mais sai da minha cabeça um certo episódio que faz tempo, muito tempo que aconteceu. Como já estou há muitos anos no jornalismo, conheci a internet quando era discada, e ai, certo dia eu fui fazer um jogo de futebol em Santos, era Santos x Ponte Preta, e eu precisava de um telefone. Aí antes de chegar no estádio, passei por um prédio e vi uma senhorinha debruçada na janela. Perguntei a ela se eu poderia usar o telefone dela para eu mandar as fotos depois do jogo para a redação. Ela aceitou na hora! Então, jogo terminado, eu fui pra casa dela. Quando entrei, era um corredor gigante e senti um cheiro de bolo. Sabe aquele cheiro de bolo? Cheiro de bolo! A casa cheirava bolo. Lembro como se fosse hoje, o bolo, que era de laranja, estava na mesinha de centro da sala acompanhado de um bule de café. E eu mandei as fotos tomando café e comendo aquele bolo! E ela disse ‘como combinamos que você viria após o jogo, fiz esse bolo para te esperar!’ Acho que foi a passagem mais legal e marcante na minha profissão.

Uma palavra? Prazer, sinto prazer em fotografar e em ser fotógrafo.’

Tags: Adulto, Amigos, Campinas, Erica Dezonne, Fotógrafos, Homem, Individual, São Paulo, Sudeste

Informações

Cidade
Campinas -SP
Data
Agosto 2015
Fotógrafo
Erica D. Dezonne
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