Paraisópolis do bem

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Paraisópolis do bem

“Joildo Barreto dos Santos, tenho 31 anos. Então, eu nasci numa cidade chamada Ituberá, lá no Sul da Bahia, uma cidade que tem cachoeira, que tem praia, é uma cidade no litoral baiano bastante quente, e lá é o segundo maior produtor de guaraná do Brasil, então a empresa lá emprega muita gente local nessa questão do guaraná mesmo, então as formas de emprego era basicamente essa, na infância eu não morei nessa cidade, eu morei numa cidade vizinha, numa baita fazenda lá, financiamento de cacau, um monte de especiaria, e lá viviam vários poceiros, a terra era da Odebrecht, e o que era da fazenda podia consumir livremente e o lucro era dividido. Eu saí com 7 anos, e vim pra Paraisópolis com 13 anos.

Eu vim pra um bairro chamado Jardim Macedônia, ali é uma divisa dos municípios, e depois que meu pai conseguiu comprar um barraco aqui no Paraisópolis, isso em 98. O dia que eu mudei pra cá foi o dia que o Brasil perdeu a final da Copa pra França, então marcou muito. Sempre estudei aqui no Etelvina, era referência, escola boa na época. Com o tempo surgiu um curso de informática dentro da própria escola, pegavam os representantes da sala e eles seriam os monitores da turma, então eu fui um desses alunos, com o tempo, com a forma que eu queria fazer eu acabei sendo contratado pela empresa que mantinha esse curso, então de manhã eu era aluno e de tarde eu era funcionário, no meio do caminho eu saí do ensino médio e fui fazer ciência da computação, me formei, e comecei a usar isso pra comunicação, então eu sempre fui envolvido com a informática e envolver isso na comunicação. Em 2007 a gente fundou um jornal aqui, tem 20 mil exemplares, a gente já ‘tá’ na edição 70, é mensal, e a ideia é que a gente vá pra outros locais, mas que a própria comunidade se organize e conte suas notícias, porquê quando ela vai pra imprensa a gente só vê coisa ruim, o nosso jornal tem notícia ruim mas a gente também tenta fazer isso como forma de reinvindicação, entendeu? Só falar mal a imprensa já fala mal, então temos que buscar a melhora. Quando você vai pesquisar qualquer coisa sobre Paraisópolis você só vai ver coisa ruim.

Ninguém sonhou em morar em favela, eu acho que as pessoas quando vão pra escola, estudam, elas querem ter uma casa bem ventilada, com tudo que tem direito, viver com a sua família, com seus amigos… aqui a gente vive bem, a gente não tem violência, a violência é um outro tipo, a questão da criminalidade acontece mais fora da comunidade, mas quando acontece qualquer coisa fora daqui, falam que o pessoal é todo daqui, então muitos anos o pessoal sentia vergonha de falar que morava em Paraisópolis, então hoje em dia as pessoas tão furando esse bloqueio, aqui você tem tudo que você quiser, você só não encontra um hospital aqui… qualquer coisa. muita gente empreende hoje, as pessoas hoje em dia querem ser donas do seu próprio nariz, você vai encontrar muita coisa aqui, viver em Paraisópolis é muito gratificante.”

Tags: Adulto, Individual, Meio Corpo, Pescador, PROAC, Rua, São Paulo, São Paulo (cidade) Rogério Padula, Sentado, Sudeste

Informações

Cidade
São Paulo – SP
Data
Abril 2017
Fotógrafo
Rogério Padula
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