Pecuária e pai

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Pecuária e pai

“Sou advogado e contador e agora proprietário rural, trabalho nisso desde 79. Fiz química industrial em Piracicaba e meu pai falou que ia vender a propriedade, então eu falei pra ele que ia abandonar a química e voltar pra Araçatuba pra cuidar da propriedade e do escritório. Não pensei duas vezes e voltei cá! Desde então tenho trabalho de advogado e a parte rural. Eu vim pra cá sem saber de nada desse mundo, nada mesmo! Agora é uma paixão. Posso tranquilamente dizer que eu largo tudo mas não largo o sítio. Aqui dá pra mexer com gado de corte, com leite. Mas tenho também um pouco de cana. Por quê ele colocou a cana? Porquê chegou um ponto que o gado não dava pra ele financeiramente, e a cana é mensal, da um dinheirinho todo mês.

Minha paixão são esses animais! O gado, o animal e a plantação que os sustenta. Aprendi muito! Imagina que eu cheguei aqui e não sabia o que era vaca cruzada, pensava que era cruzada por ter mancha! Até que me explicaram que vaca cruzada é a vaca holandesa cruzada com o boi nelore, então é uma mistura de animal, daí que vem a cruzada, não tem nada a ver com a mancha. Aprendi a plantar capim, fazer análise de solo, quantos quilos vai de adubo, então tudo fui aprendendo.

Muita gente tem a impressão errada que todo mundo que meche com pecuária é milionário. Não, hoje se eu tivesse que viver só dessa propriedade minha aqui, eu não teria pra viver o padrão de vida que eu levo. O que me ajuda nisso é o escritório. Hoje a propriedade é autossustentável, mas eu gosto das coisas muito caprichadas, então isso gasta um pouco também. Hoje eu tenho 110 cabeças aqui que me geram uma boa renda, mas as pessoas não entendem que a despesa é muito alta também, então ‘tá’ empatando praticamente.

Isso é um dos fatores que afastam meus filhos. Além disso eu tive um problema familiar que eu perdi a primeira esposa com uma doença gravíssima, então nesses 12 anos de doença dela eles saíram daqui e foram tomar conta dela e hoje eles não gostam desse espaço. Eles moram comigo, não querem casar, mas assim, eles falaram que o dia que eu for embora eles vendem isso na outra semana. É um desgosto muito grande para mim, mas eles não gostam. Pensa que eu vim aqui pela relação afetiva com meu pai. Mas assim é a vida, não é?”

Tags: Agricultor, Araçatuba, Em pé, Filho, Homem, Individual, Pai, Pecuária, PROAC, São Paulo, Sudeste, Tomás Cajueiro, trabalhador

Informações

Cidade
Araçatuba – SP
Data
Abril 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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