Pife da vida

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Pife da vida

‘Aqui já teve pife quando eu era bem pequeninho, ouvíamos o pessoal tocar ali na casa do finado Amélio. A gente ouvia tocar e ficava fascinado, visse. Ai passaram uns anos e lá pelos meados de 1983, nóis tava numa festa – eu, meu pai,meu tio e mais um bucado de pescador. Ai me veio a ideia da gente comemorar a data de São Francisco, dia 4 de outubro, tocando pife. Esses amigos me deram apoio. Disseram que se tiver alguém que tome a frente todo mundo ajudava. Ai nois terminado a festa vinhemo embora com esse intuito de fazer alguma coisa e comecei a providenciar um banda de pífano, mas meu pai me desanimou. Disse que era difícil, que já não existe mais essa coisas aqui e quebrou a ideia. Mas ele foi pra casa dele, eu fui pra minha, os dois matutando como fazer. Foi ai que ele foi até minha casa e disse que se ‘alembrou’ que tinha uma pessoa dentro da nossa família que antigamente tinha uma banda de pífano. Não demorei muito e fui lá conversar com o homem, afinal tudo era pra ser feito antes da festa de São Francisco. 

Achei o homem e ele e disse que não tinha mais a banda e nem mesmo um pife. Foi triste pra mim quando ele falou que tinha jogado o pife fora à tanto tempo que o tempo já tinha comido todo ferro já. Fiquei meio triste mas o homem pediu uns minutinho pra mecher nas coisas dele e ver o que tinha ainda . Ocê acredita que ele tinha o casco da zabumbda, o casco da caxinha e até um pife veio ! Foi tudo o que ele encontrou de uma das ultimas bandas de pife aqui da região .. e meu deu tudo ! Ocê acredita, me deu tudo !

Eu fui arrumando, botei o coro na zabumba, coro na caxinha e cheguei no pife. O pife estava todo ruim, bem arrebentado, todo estragado. Peguei um cano de PVC e voltei ali na casa do velho pra saber se o cano como aquele ali presta. Ele disse que sim, presta. AI pronto, cheguei em casa serrei o tamanho do pife, medi os buraco tudo direitinho e olha, até ai eu tinha visto pife só quando era pequeno, nem sabia o som do pife como era nem nada. Por isso quando acabei de fazer levei pro velho de volta, ele regulou um pouquinho e tocamos foi com ele mesmo. Fizemos o festejo pro nosso São Francisco e foi muito bom ! Foi tão bom que os padres, em especial o Frei Paulo, disse pra que não deixasse a banda de pife cair. Eu prometi pra ele e desde la estamos aqui, tocando pife . Só vou parar quando morrer !’

Tags: Aposentado, Artistas, Cantor, Chapéu Corpo Meio, Homem, Idoso, Individual, Músicos, Nordeste, Pernambuco, Ribeirinho, Santa Maria, Sertanejo, Tomás Cajueiro

Informações

Cidade
Santa Maria - PE
Data
Dezembro 2015
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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