Português da areia

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Português da areia

“Sou José Gomes dos Santos, português de nascimento e brasileiro por escolha. Quando cheguei aqui esse rio era bem mais estreito, estreitinho. Foi antes da barragem,  aí  eu ficava no meio do rio e puxava areia. Foi assim que comecei a trabalhar com areia. Depois fizeram as barragens, represaram o rio e passamos a precisar de navegação. Eu fui fazendo barquinho, primeiro 15 metros, depois 30 metros até que chegou um ponto que o barco ficava pequeno, e aí fomos fazendo embarcação grande.

Imagina que naquela altura eu era motorista, aí um dia eu fui comprar uma torneira pra minha casa aqui em Araçatuba e tinha o porto. Ai os antigos donos queriam vender essa ‘draguinha’ que tirava areia. Perguntaram pra mim se eu não queria comprar um porto, aí fui ver e gostei da brincadeira e comprei o porto dele. Não tive aquela coisa de ter visto um grande mercado nem nada assim. Quando comprei não tinha expectativa nenhuma, só comprei o porto do homem. Comecei trabalhando, trabalhando, aí fui indo, era tudo carregado na pá, eu tinha sempre de 5 a 10 homens pra carregar caminhão. Aí o movimento foi aumentando, aumentando e eu precisei comprar uma pá carregadeira.

Eu comprei a máquina sem saber nem funcionar a máquina. Aí cheguei aqui, tirei a máquina de cima do caminhão e parece que Deus ‘tava’ me ajudando. Vim pro porto carregar sem saber nada e comecei carregar caminhão, aprendi trabalhar, arrumei um empregado pra trabalhar com ela e fui comprando caminhão. Graças a Deus eu construí a minha casa, eu estudei meus filhos e tirei tudo que tenho hoje dessa areia. Tudo que tenho saiu de dentro do rio.”

Tags: Araçatuba, Corpo Inteiro, Em pé, Homem, Idoso, Imigrante, Individual, Pai, PROAC, Rio, São Paulo, Sudeste, Tomás Cajueiro, trabalhador, Trabalho

Informações

Cidade
Araçatuba – SP
Data
Maio 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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