Primeira tartaruga

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Primeira tartaruga

“Sou oceanógrafa formada pela FURG. Quando eu me formei, meu primeiro trabalho foi com o SOS Mata Atlântica, e depois eu vim pra Ubatuba e trabalhava aqui no Clube Setorial de Meio Ambiente. Nessa época o Tamar tinha iniciado o trabalho na área de reprodução e precisava iniciar o trabalho na área de alimentação, ou seja, lugares onde a tartaruga marinha juvenil passa uma fase da sua vida se alimentando e crescendo. Esse era o caso do litoral paulista. Aí a turma mais velha do Tamar me chamou pra fazer o levantamento e fundar o Tamar aqui em Ubatuba.

Já se foram 28 anos! Primeiro eu fiz o levantamento, quais espécies ocorriam, se tinha interação com a pesca, então o meu primeiro trabalho aqui em Ubatuba foi percorrer todas as praias e entrevistar os pescadores, conversar com eles. Com eles saber se caíam tartarugas, qual espécie, se comia ou não comia, etc. A partir disso, começar a monitorar as redes, as artes da pesca, pra saber a localidade. Pra fazer esse trabalho com os pescadores, pra falar que ‘tá’ em extinção, que ao invés de matar a tartaruga nos avisasse. Esse então esse foi o primeiro trabalho.

Teve um momento interessante, lá atrás, quando poxa, eu ia na praia e falava pro pescador que a tartaruga podia estar afogada e não morta, porque ela se afoga na rede. Depois ensinava a fazer a massagem, ‘coloca a tartaruga com a barriga pra cima, tira a água, aperta bem a barriga, sai aguinha e aí deixa ela na sombra porquê de repente a tartaruga vai voltar…’. A primeira vez que eu fiz isso numa praia é claro que eu ouvi coisas do tipo quer que eu faça respiração boca-boca? Tudo bem, né, chega a paulistana e desce lá na praia e fala pro cara não comer a tartaruga, fazer massagem na tartaruga… ok.

Assim, foi o trabalho do começo. Eu não tinha marcado nenhuma tartaruga, e aí um dia eu ‘tava’ chegando de uma festa na minha casa a noite, e tinha uns pescadores sentadinhos na porta de casa com uma tartaruga na mão. Juro, cara, esse foi um momento marcante, porquê foi a primeira tartaruga. Ela afogou, eles fizeram a massagem e aí eles levaram pra mim pra falar que deu certo, que ela ‘tava’ lá. Aí a gente marcou a primeira tartaruga na minha casa, e fomos soltar a tartaruga na praia 11h da noite. Isso foi muito legal.”

Tags: Adulto, Biólogo, Corpo Inteiro, Daniel Arroyo, Mulher, PROAC, São Paulo, Sentado, Sudeste, trabalhador, Ubatuba

Informações

Cidade
Ubatuba – SP
Data
Abril 2017
Fotógrafo
Daniel Arroyo
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