Professor da brincadeira

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Professor da brincadeira

“Fui professor na EMIA, Escola Municipal de Iniciação Artística e minha linguagem lá era teatro, dei aula mais de 20 anos. Fui ‘titeiriteiro’, isso é legal de contar porquê ninguém sabe o que é: é quem vende títere, boneco, então eu era bonequeiro na prefeitura de São Paulo. Foi um cargo que foi entrando em vacância e não contrataram mais, aí me mandaram pra essa escola. Estudei pedagogia, me formei em pedagogia e minha carreira é essa, sou ator e palhaço nas horas vagas, e contador de história.

Aqui eu faço um trabalho na escola através do Instituto Bacuri, apoio financeiro mesmo. Venho com uma proposta de brincar, fazer poesia. Sou uma figura que não tem uma imagem de repressão que todos têm, eu sou aquele tiozão que chega na escola, então a galera me acolhe muito bem, me abraçam todos, porquê na verdade eu venho na escola pra brincar.

As crianças aqui são diferentes. Vamos dizer assim, as crianças de São Paulo são que nem frango de granja, ficam muito tempo na TV, computador, então pra você propor alguma coisa sempre tem uma resistência muito grande. Então aqui eles são igual frango caipira, qualquer coisa que você propor eles aceitam, dá até medo de propor as coisas. A criança aqui tem a melhor infância do mundo, isso eu posso garantir, maior liberdade pra nadar em rio, andar no mato, pegar a fruta que quiser. Agora, o jovem tem a pior, pra estudar tem que ir lá em Ubatuba, se quiser uma faculdade tem que ir pra Taubaté ou mais longe, se quiser trabalhar tem que se submeter a ser garçom, servente, pedreiro… então pro jovem aqui ainda é uma coisa dura.”

Tags: Artistas, Ator, Daniel Arroyo, Homem, Individual, Meio Corpo, PROAC, Professor, São Paulo, Sentado, Sudeste, trabalhador, Ubatuba

Informações

Cidade
Ubatuba – SP
Data
Abril 2017
Fotógrafo
Daniel Arroyo
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