Projeto Tamar

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Projeto Tamar

“Tenho 43 anos, 19 aqui em São Paulo. Eu trabalho no Tamar há 28 anos já. Na verdade, a história começou porquê lá no Espírito Santo, eles consertavam os carros do Tamar na oficina do meu pai, então eu já trabalhava com o meu pai de ajudante de mecânico, só que eu não queria ser mecânico de verdade, então toda vez que a galera do Tamar chegava lá eu via os carros, achava tudo interessante aquilo e falava “cara, um dia eu vou trabalhar com eles”. Eu tinha 15, 14 anos. Brincando uma vez minha mãe falou “pô, ‘cês’ ficam vindo da praia todo dia, vem pra cidade faz as coisas aqui, por quê vocês não mantém alguém aqui? a gente já tem um escritório na oficina, tem mesa, tem telefone, tem uma estrutura pra ele usar e o Vaninho pode trabalhar junto com vocês!”. Isso porquê as bases ficam longe de onde ficam as cidades, tipo, Linhares onde que eu morava, né, aí é Pontal que fica há 50km, Povoação fica há 32km e Regência fica há 50km. Tudo que era feito lá na cidade, coisas do banco, correio, compras, era feito tudo onde eu morava, e aí eles ficavam fazendo esse bate e volta. Pra não ficar fazendo isso, eles mandavam as coisas pelo ônibus, eu pegava o malote e fazia isso tudo. Começou assim, a história começou assim. Fiquei 5 anos trabalhando com isso, eu era Office Boy e fazia as coisas de Office Boy.

Entrei no Tamar em 89, de 89 pra 90. Dei um toque no meu chefe, achei que não ia dar certo, passou alguns meses e ele falou que tinha uma vaga em Vitória, para trabalhar na loja. Eu já tinha falado pra ele que eu tinha medo de ser o Vaninho que ia nascer lá em Linhares, crescer lá, fazer uma família e ficar lá, um mundinho desse tamanho. Sempre quis viver o mundo, conhece-lo. Eu não queria ficar limitado lá sempre, um mundo desse tamanho então eu queria um pouco mais. Aí o Tamar foi essa ponte pra mim, cara, dei um toque no meu chefe e falei que queria mudar e aí fui pra Vitória trabalhar com lojas.

O Projeto Tamar pra mim, cara, pra minha vida, foi tudo isso que eu queria lá na frente. Eu sou de uma família evangélica, isso foi muito bom pra minha vida porquê me deu um suporte, mas eu não concordo com algumas coisas, eu acho que a igreja limita a gente em algumas questões. Não sigo mais, não vou mais na igreja, agora o meu contato é direto com Deus. O que eu preciso é com ele, então a gente tenta ser justo. eu acho que isso funciona muito bem.

Imagine que aqui no Tamar como eu pulei pra lá e pra cá, tenho uma versatilidade que me permite trabalhar em vários setores aqui. Atualmente eu trabalho com um grupo produtivo também, a gente tem essa troca… as pessoas que tinham a tartaruga como fonte de renda, fonte de alimento, a gente cria algo produtivo, envolve essas pessoas, consegue uma renda pra elas e com isso a tartaruga fica livre… então não precisa comer carne de tartaruga, vender a carne… ele faz um produto artesanal, e com isso eles têm uma fonte de renda, até hoje eu trabalho com isso.”

Tags: Homem, Individual, Meio Corpo, PROAC, São Paulo, Sentado, Sudeste, Tamar, Tomás Cajueiro, trabalhador, Ubatuba

Informações

Cidade
Ubatuba – SP
Data
Abril 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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