Rua invisível

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Rua invisível

“Meu nome é Arnon José Dos Santos, agradeço a Deus por ‘tá’ aqui com saúde, porque eu sofri um acidente de trem em 1994. Caí do trem que sai de Santos e vai pra Embu Guaçu. Eu não paguei esse trem, né. Então no percurso o trem balançava e eu estava na porta, aí meu pé bateu na estação. O trem foi embora e eu fiquei com o pé preso ali na parede. Culpa minha né, que além de não pagar ainda quis ir balançando. Mas fui bem tratado no hospital pelos doutores.

Hoje moro na rua. Teve uma época que eu fui mal tratado por uma instituição e desde então não quis mais saber de abrigo. Era uma instituição que diziam que ajudava, aqui de São Vicente, mas quem viesse de fora eles pegavam e levava de volta. O pior de tudo era que eles batiam nas pessoas lá dentro. Eu fugi! Eu ‘tava’ com a perna ruim e mesmo assim fugi de várias instituições. Não é que eu não goste de igreja, eu gosto é de Deus, então eu não gostava de ficar internado porquê eu uso drogas, então lá dentro você se sente mal. Se sente preso. Então desde 1994 pra cá eu ‘tô’ jogado na rua, como cidadão eu tenho que ter direito à um trabalho, não tenho nenhum documento.

Ai sem documento e morando na rua, parece que a gente não existe. Parece que sou invisível. Muita gente te nota, mas muita gente vira a cara pra você porquê você é morador de rua, se me der um trabalho eu quero trabalhar. Eu não consigo me expandir por causa disso.”

Tags: Corpo Inteiro, Homem, Individual, morador de rua, PROAC, Rua, Santos, São Paulo, Sentado, Sudeste, Tomás Cajueiro

Informações

Cidade
Santos – SP
Data
Abril 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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