Talento do pai

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Talento do pai

‘Nasci em São Paulo e sempre morei lá, até mudar para Paris em 2011 e depois vir para Londres fazer mestrado. Fiz faculdade de Comunicação Social com ênfase em cinema, então sou cineasta e produtora. Comecei a gostar de cinema quando era pequena, sempre teve essa coisa de Disney e meus pais sempre foram muito ligados em arte, meu pai era fotógrafo e eu comecei a praticar balé desde criança, algo que me deixou muito ligada em estética, dança, arte em geral.

Quando eu escolhi a faculdade, quis optar por algo que eu pudesse reunir todas essas coisas ligadas à estética numa profissão só, que é o cinema. Pra muita gente cinema pode ser um hobby, mas pra mim é o que direciona a minha vida. E ai eu comecei a faculdade de cinema tendo certeza que eu seria diretora de fotografia, muito por causa do meu pai. Cheguei a ganhar prêmios, tudo muito legal, até me dar conta que eu tinha algo de produtora dentro de mim e foi ai que eu decidi começar a investir mais em produção. Durante a faculdade todos os meus projetos foram voltados à direção de fotografia, mas foi no final da faculdade que eu falei -“opa, eu sou melhor produzindo”- e assim que eu me tornei produtora, comecei a trabalhar como assistente de produção. Fiz várias propagandas no Brasil até vir para Londres fazer um mestrado.

Ganhei meu primeiro prêmio em 2006, quando eu tinha 14 anos, como melhor fotografia juvenil em uma competição da cidade de São Paulo na qual eles davam uns textos pra você se basear em alguma coisa, e nessa mesma época eu estava lendo um livro do Luigi Pirandello que se chama “Um, nenhum, cem mil” que trabalha assim, com a forma como as pessoas te vêem, a forma que você se vê e com a forma como você realmente é, ou seja, são mil versões de você. Aí um dos textos inspiradores, que não me lembro bem qual é, relacionava alguma coisa de personalidade com a maneira como você se vê. Nessa época eu estava quase começando a fazer terapia, e então eu tirei umas fotos dos losangos do chão da minha cozinha, que na realidade eram todos iguais, mas em perspectiva ele ficavam todos diferentes. Dei à foto o nome de “Um, nenhum, cem mil” até meu pai olhar para a foto e dizer – “isso tá sem foco, tá um horror, não manda isso”-. E eu quis mandar da mesma maneira, porque já tinha tirado a foto, pago e enquadrado. Mandei assim mesmo. Ele falou, “tá bom, por sua conta e risco!”-. Até que no dia da premiação, eu não queria ir de jeito nenhum e meus amigos queriam porque queriam ir. Eu só pensava que não tinha o que fazer lá pois sabia que não tinha ganho o prêmio. Me rendi e fui! Quando chamaram pelo meu nome eu não estava nem escutando, nem vi quando me chamaram. E ai acharam que eu não estava lá, isso tudo porque eu não acreditei que seria vencedora. Aí me empurraram, pediram pra eu fazer um discurso, e nossa, eu falei -“gente, eu não sei falar em público”- peguei e saí correndo do palco! De repente, no outro dia, achei R$500 reais na minha carteira, logo perguntei para o meu pai como tinha aparecido aquele dinheiro lá, e ele disse -“Vai ver que você ganhou um prêmio!” – E ai que me dei conta.

Eu não gosto de falar que eu tenho talento porque eu realmente não acho que eu tenha um, eu sou uma pessoa que estuda e que corre atrás das coisas que quer. Posso talvez ter uma pontada de talento, mas acho que é mais uma coisa da criação que eu tive, com um empenho pessoal muito mais do que talento.

Semana passada recebi a notícia que fiquei entre os melhores no Prêmio de Cinematografia Brasileira desse ano, como diretora de fotografia de um curta que eu fiz em 2014, semana passada fiquei entre os “Top 10” como produtora do Adcan Awards, que é um prêmio de Londres. Não posso falar que não fico super decepcionada quando não ganho, sou muito competitiva e quando entro em competições, eu quero ganhar. Se não é pra ser o melhor, eu prefiro não fazer, e assim foi a minha vida inteira. Minha mãe brinca comigo dizendo que o primeiro Oscar que eu ganhar eu vou mudar de profissão, pois tudo o que venço eu penso “próximo”!

Me lembro da primeira câmera fotográfica que eu ganhei, eu tinha 2 anos, era da Barbie. Meu pai tinha os equipamentos dele e, claro, não queria que eu ficasse mexendo. Ele via que eu tinha muito interesse naquilo e foi aí que ele me deu a câmera de brinquedo e eu comecei a fotografar. Sabe, quando você olha as fotos daquela época…até que fazem sentido, não eram coisas sem sentido não! Me lembro bem disso. Não dá nem pra falar que meu pai não incentivou a carreira. Meus pais sempre me apoiaram muito, desde o início.

Minha meta de vida é ganhar um Oscar, rodar o mundo, visitar países asiáticos ocidentais que tem um fundo místico, pois acredito em energia, no hinduísmo, que é algo ligado a Karma e que ensina que se você exercer boas energias, você receberá boas energias em troca.

dutora. Comecei a gostar de cinema quando era pequena, sempre teve essa coisa de Disney e meus pais sempre foram muito ligados em arte, meu pai era fotógrafo e eu comecei a praticar balé desde criança, algo que me deixou muito ligada em estética, dança, arte em geral.

Quando eu escolhi a faculdade, quis optar por algo que eu pudesse reunir todas essas coisas ligadas à estética numa profissão só, que é o cinema. Pra muita gente cinema pode ser um hobby, mas pra mim é o que direciona a minha vida. E ai eu comecei a faculdade de cinema tendo certeza que eu seria diretora de fotografia, muito por causa do meu pai. Cheguei a ganhar prêmios, tudo muito legal, até me dar conta que eu tinha algo de produtora dentro de mim e foi ai que eu decidi começar a investir mais em produção. Durante a faculdade todos os meus projetos foram voltados à direção de fotografia, mas foi no final da faculdade que eu falei -“opa, eu sou melhor produzindo”- e assim que eu me tornei produtora, comecei a trabalhar como assistente de produção. Fiz várias propagandas no Brasil até vir para Londres fazer um mestrado.

Ganhei meu primeiro prêmio em 2006, quando eu tinha 14 anos, como melhor fotografia juvenil em uma competição da cidade de São Paulo na qual eles davam uns textos pra você se basear em alguma coisa, e nessa mesma época eu estava lendo um livro do Luigi Pirandello que se chama “Um, nenhum, cem mil” que trabalha assim, com a forma como as pessoas te vêem, a forma que você se vê e com a forma como você realmente é, ou seja, são mil versões de você. Aí um dos textos inspiradores, que não me lembro bem qual é, relacionava alguma coisa de personalidade com a maneira como você se vê. Nessa época eu estava quase começando a fazer terapia, e então eu tirei umas fotos dos losangos do chão da minha cozinha, que na realidade eram todos iguais, mas em perspectiva ele ficavam todos diferentes. Dei à foto o nome de “Um, nenhum, cem mil” até meu pai olhar para a foto e dizer – “isso tá sem foco, tá um horror, não manda isso”-. E eu quis mandar da mesma maneira, porque já tinha tirado a foto, pago e enquadrado. Mandei assim mesmo. Ele falou, “tá bom, por sua conta e risco!”-. Até que no dia da premiação, eu não queria ir de jeito nenhum e meus amigos queriam porque queriam ir. Eu só pensava que não tinha o que fazer lá pois sabia que não tinha ganho o prêmio. Me rendi e fui! Quando chamaram pelo meu nome eu não estava nem escutando, nem vi quando me chamaram. E ai acharam que eu não estava lá, isso tudo porque eu não acreditei que seria vencedora. Aí me empurraram, pediram pra eu fazer um discurso, e nossa, eu falei -“gente, eu não sei falar em público”- peguei e saí correndo do palco! De repente, no outro dia, achei R$500 reais na minha carteira, logo perguntei para o meu pai como tinha aparecido aquele dinheiro lá, e ele disse -“Vai ver que você ganhou um prêmio!” – E ai que me dei conta.

Eu não gosto de falar que eu tenho talento porque eu realmente não acho que eu tenha um, eu sou uma pessoa que estuda e que corre atrás das coisas que quer. Posso talvez ter uma pontada de talento, mas acho que é mais uma coisa da criação que eu tive, com um empenho pessoal muito mais do que talento.

Semana passada recebi a notícia que fiquei entre os melhores no Prêmio de Cinematografia Brasileira desse ano, como diretora de fotografia de um curta que eu fiz em 2014, semana passada fiquei entre os “Top 10” como produtora do Adcan Awards, que é um prêmio de Londres. Não posso falar que não fico super decepcionada quando não ganho, sou muito competitiva e quando entro em competições, eu quero ganhar. Se não é pra ser o melhor, eu prefiro não fazer, e assim foi a minha vida inteira. Minha mãe brinca comigo dizendo que o primeiro Oscar que eu ganhar eu vou mudar de profissão, pois tudo o que venço eu penso “próximo”!

Me lembro da primeira câmera fotográfica que eu ganhei, eu tinha 2 anos, era da Barbie. Meu pai tinha os equipamentos dele e, claro, não queria que eu ficasse mexendo. Ele via que eu tinha muito interesse naquilo e foi aí que ele me deu a câmera de brinquedo e eu comecei a fotografar. Sabe, quando você olha as fotos daquela época…até que fazem sentido, não eram coisas sem sentido não! Me lembro bem disso. Não dá nem pra falar que meu pai não incentivou a carreira. Meus pais sempre me apoiaram muito, desde o início.

Minha meta de vida é ganhar um Oscar, rodar o mundo, visitar países asiáticos ocidentais que tem um fundo místico, pois acredito em energia, no hinduísmo, que é algo ligado a Karma e que ensina que se você exercer boas energias, você receberá boas energias em troca.’

Tags: Adulto, Artistas, Cinema, Erica Dezonne, Europa Individual, Inglaterra, Londres, Mulher

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Informações

Cidade
Londres - GB
Data
Setembro 2015
Fotógrafo
Erica D. Dezonne
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