Talita

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“Pra mim desde sempre morar fora do Brasil era uma coisa meio certa, que eu iria fazer um dia. Vim pra França porque aqui tem muito incentivo aos estudantes estrangeiros e também porque me identificava com a cultura.

Na época em que fazia faculdade de jornalismo no Brasil uma amiga me falou do programa Au Pair e eu achei interessante, fui pesquisar,passei uns dois anos amadurecendo a ideia e depois de dois anos de formada achei que estava na hora de vir.

Quanto à adaptação, acho que foi muito rápido, muitas coisas foram acontecendo ao mesmo tempo, e eu ia apenas vivendo um dia depois do outro. Cheguei aqui sem data pra ir embora e sem muitas expectativas. Eu apenas queria aprender francês e fazer uma pós graduação. Os dois primeiros anos eu morei com famílias francesas de perfils bem diferentes o que me fez entrar em contato direto com o modo de vida e os costumes do país.

Quando você se vê numa casa com pessoas estranhas, dividindo a sua intimidade com elas, num lugar em que você não tem suas marcas, seus referenciais, seus refúgios, você é a cada instante confortado com você mesmo, seus medos, limites, preconceitos e capacidade de tolerância. Você acaba virando seu próprio refugio, sua própria casa. E isso pra mim é o mais incrível. Você começa a perceber que tem recursos em você que não sabia que tinha e que você é capaz de se adaptar à muitas situações. Fora que existe uma coisa muito legal que é fato de entender que, embora diferentes, somos muitos iguais e nunca estamos sozinhos. Existe muita solidariedade no mundo, sempre tem gente com as quais você vai se conectar. Então a adaptação ela acontece meio que naturalmente, aceitando a si mesmo e ao outro.

Eu adoro o Brasil, sinto falta das pessoas, do calor, e de poder falar minha língua e de uma certa sensação de controle, de afirmação de si que me falta um pouco aqui. Embora eu me sinta completamente adaptada e não tenha problemas com o idioma, eu tenho um pouco a impressão que por mais que você domine uma língua estrangeira, ela nunca vai ser sua e sempre eu terei a sensação de não estar completamente sendo clara ou sendo eu mesma. Me sinto como se eu ganhasse uma nova personalidade quando falo francês, entendeu?

Naturalmente, desde que cheguei aqui, fui encontrando brasileiros, meus amigos mais íntimos são brasileiros. Até porque existe essa coisa da identificação, mesmas histórias, momento de vida. Existe uma conexão direta que passa mais depressa com um compatriota. Embora as relações com estrangeiros sejam muito ricas, ter brasileiros por perto gera um aconchego que é mais difícil você ter de cara com alguém que não tenha os mesmo referenciais que você (que por exemplo nunca tenha visto “Topa Tudo por Dinheiro” e nem sabe quem é Silvio Santos, risos).

A música brasileira é muito popular na França e eu acabei trabalhando alguns anos nesse meio, então isso acabou norteando um pouco minha vida aqui, meus amigos, os lugares que eu frequento, é uma coisa meio natural. A única conexão com minhas raízes são meus amigos e os momentos em que frequento o samba e o forró em Paris. Eu vou raramente ao Brasil, eu me relaciono com franceses, eu trabalho em francês, eu falo francês quotidianamente, eu como a comida francesa, estou completamente impregnada dessa cultura eu me sinto um caso de “intégration réussie” ou seja, fui integrada à essa cultura com sucesso, mas tento não perder quem sou de vista.

Hoje eu sou uma terapeuta em começo de carreira depois de vagar pelo jornalismo e pela mediação cultural. Eu trabalho com uma terapia ainda pouco conhecida no Brasil chamada Sofrologia. Ela visa integrar corpo e mente, através da respiração, visualização e pensamento positivo. Tem um pouco de com hipnose e de técnicas orientais como o Ioga e a meditação plena consciência. É normalmente indicada para problemas de estresses, preparação à provas esportivas, concursos, problemas psicossomáticos, fobias, ansiedade ou apenas para o bem estar e uma maior consciência corporal.”

Tags: Adulto, Casa, Escritórios, Felipe Paiva, França, Imigrante, Individual, Meio Corpo, Mulher, Paris, R.U.A Fotocoletivo, Sentado, Valinhos

Informações

Cidade
Paris - FR
Data
Março 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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