Tapa na cara

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Tapa na cara

“Eu comecei em 2009 ainda na faculdade, eu comecei um projeto; eu tenho tino para trabalhar com pessoas com deficiência, quero trabalhar com pessoas com deficiência, fui atleta de natação muito anos e aí eu comecei.

É muito tapa na cara que a gente leva. A vida, você vai dando aula.

Chegou um cara, tinha acabado de fazer 18 anos, morava em Portugal. Bebeu demais, bateu na árvore, quebrou o pescoço. O médico falou que ele ia virar vegetal, não vai viver mais. Aí ele chegou um dia na academia e disse: “Olha, eu queria aprender a nadar”. “O que foi que aconteceu?”, perguntei. Lesão medular, quebrou o pescoço, é um tetraplégico; incompleto, mas é um tetraplégico. E aí começa, papo vai, papo vem. Primeiro dia que ele entrou, ele mergulhou, entrou água no nariz, na boca e me encontrei em uma situação inédita!

‘Meus Deus do céu, o que que eu vou fazer com esse cara?’, pensei. Nunca tinha vivido isso, não sabia o que era. E foi, e passou um tempo. Costumo falar assim, que a natação é do seu tempo; tem um que aprende a nadar em uma semana, tem gente que aprende a nadar um mês, um ano. Depende de você. E ele começou a dar umas braçadas e teve um dia que ele foi nadar e engoliu água lá no meio. Falei: “ó não vai desistir”, gritei da borda. Ele falou ‘Eu não! Todo mundo desistiu de mim, eu não vou desistir de mim’. Aí você toma uma porrada dessa cara!

Foi um dia inesquecível pra mim. Essa frase dele não saiu da minha cabeça e prometi nunca desistir dos meus atletas. O dia que ele completou 50 metros nadando sem parar, que ele foi e voltou na piscina sem parar. Foi uma das maiores experiências, uma das maiores experiências da minha vida.”

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Informações

Cidade
Indaiatuba – SP
Data
Março 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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