Trabalho e fandango

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Trabalho e fandango

“Sou nascido e criado aqui nesse sítio mesmo. De uma família de pescadores, mas eu acabei me dedicando a construção civil mesmo. Não pra viver de pesca quando a questão econômica não ajuda, né? Na época, o que mais quebrou a gente, foi o preço da manjuba já que o preço era muito ruim. Pescava de rede e se fosse lá na boca da barra precisava de umas 5 pessoas pra pescar com uma rede, mas com o valor do peixe como pagava cinco pessoas? Aí escolhi a construção civil.

Isso foi mais ou menos em 1986, quando junto da pesca eu fazia alguns bicos de servente de pedreiro, e fui ganhando experiência. Aí de 90 pra cá, comecei a trabalhar com construção civil e a pesca ficou só pro consumo de casa mesmo.

Aí no meio tempo, eu toco pra frente minha grande paixão: o Fandango! Acompanho desde 8 anos de idade e luto pra que essa tradição não morra apesar de toda as mudanças dos últimos anos. O povo de fora e o nosso povo aqui, acabaram deixando a nossa cultura de lado. Hoje a criança não quer tocar a viola de fandango, quer tocar violão, guitarra.

Com o progresso mesmo, a mudança, veio outros tipos de músicas ai o pessoal foi se desligando. O turista quando vem pro nosso lugar quer ver o que a gente tem aqui, eu toco viola, violão, mas o que ele quer ver é o fandango, por que? Porque ele gosta da tradição daqui, e o povo daqui eu acho que pensa diferente, quer inovar e trazer as coisas pra cá ai fica esse dilema: o caiçara quer modernizar, mas ao modernizar perde sua raiz. Já o turista quer o fandango, mas não percebe que ao vir pra cá traz seus gostos e suas músicas que acabam influenciando o futuro do fandango.”

Tags: Adulto, Corpo Inteiro, Homem, Iguape, Individual, Músicos, Pedreiro, PROAC, São Paulo, Sentado, Sudeste, Tomás Cajueiro, trabalhador

Informações

Cidade
Iguape – SP
Data
Março 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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