Vida na Itália

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Vida na Itália

‘Meu marido é italiano, nascido em Piemonte, eu o conheci por intermédio de uma amiga nossa. Namoramos por skype por quatro meses, com câmeras espalhadas pela casa inteira, estávamos nos conhecendo e eu o achava um homem muito inteligente. Depois de quatro meses ele foi para o Brasil e ficou comigo durante sete meses, nesse período noivamos. Quando ele colocou a aliança no meu dedo fiquei apavorada, afinal, eu era divorciada há 12 anos, até então eu não tinha me relacionado sério com ninguém porque minha vida era muito atribulada; eu trabalhava muito, lecionava no ensino médio/fundamental, em universidade, trabalhava em meu escritório onde ajudava jovens graduandos e de pós-graduação a construírem seus projetos, eu os orientava e os ensinava a escrever a pesquisa; tinha ainda alunos estrangeiros que aprendiam o português. Não me sobrava tempo para os relacionamentos.
Bom, durante aqueles sete meses comigo, em São Paulo, os planos eram mudar para Florianópolis, assim eu prestaria um concurso público e procuraria uma casa pequena. Ele voltou para a Itália em outubro, fiz o concurso em novembro. Nosso próximo encontro seria na Itália, para o Natal de 2012, e em janeiro retornaríamos juntos ao Brasil.

Quando ele voltou para Itália eu pensei que fosse desandar o relacionamento, justamente pela minha falta de tempo. Não aconteceu assim, porque tínhamos planos e continuamos a sonhar os planos futuros. Meu marido havia 54 anos, e eu 48, quando nossos planos foram, de improviso, modificados. Enquanto eu viajava para passarmos o Natal juntos na Itália, ele teve um AVC.
Resumo: cancelei todos os planos no Brasil, meu novo emprego e nossa vida lá e fiquei aqui cuidando dele. Essa situação foi muito drástica pra mim, foram praticamente dois anos entre a casa e hospital. Eu não conhecia a cidade, a cultura, vida social era quase zero, uma ou outra vez ia a algum restaurante. Foram tempos difíceis.

Não nos casamos imediatamente por causa do estado dele, eu pensava que depois da recuperação ele poderia mudar de ideia, afinal o cérebro foi tocado, poderia ter novas ideias sobre um relacionamento, amor etc. Avaliei esse risco, mas era melhor esperar e saber com segurança o que eu era para ele. Se ele desistisse de se casar eu já estava preparada para voltar ao Brasil, começar tudo de novo, prestar outro concurso, não tinha medo, eu fiquei e cuidei dele até que ele se recuperasse. Ele tem sequelas físicas, usa cadeira de rodas, mas sua capacidade cognitiva não foi tocada. Agradeço a Deus.

Depois de 2 anos, um dia ele virou-se para mim e disse: E então, vamos nos casar? A resposta não demorou para chegar.”

Tags: Adulto, Casa, Ciça Gregory, Em pé, Estudantes, Europa, Imigrante, Individual, Itália, Turim

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Informações

Cidade
Turim – IT
Data
Outubro 2016
Fotógrafo
Ciça Gregory
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