Vida no chá

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Vida no chá

“Conhecer o chá eu conheci com cinco anos. Porque o meu pai trouxe uma muda, uma semente de chá não sei de onde! Ele semeou na areia e esse chá começou brotar! Então o meu pai me deu uma latinha e disse “Agora você vai ‘escoiê’ os broto e ‘colocá’ nessa latinha.” Isso eu lembro muito bem! Eu tinha cinco anos.

Depois meu pai abriu uma fábrica de chá, né?! Claro que até chegar nesse ponto meu pai sofreu muito! Mas chegou nesse ponto. Ele fez uma fábrica de chá! Aí eu sempre ajudava, porque eu sou a caçula, né?! Meu pai gostava muito de mim, então sempre acompanhava ele. Eu sempre tinha um servicinho pra ajudar ele! Foi assim que conheci o chá. Foi assim!

Um momento importante foi quando a fabrica aqui da região parou de comprar nosso chá. Foi do nada, um dia que fomos lá e eles falaram bravos que não iam mais querer nosso chá. Foram bravos, sabe! Estupidamente bravos.

Quando cheguei em casa abracei o pé do chá e chorei! Chorei e fiquei preocupada, porque como é que a gente ia sobreviver? Era o chá que matinha esse sitio. Depois disso, o chazal ficou meio abandonado. Você passava e só enxergava mato coberto assim! Olhava aquilo com tristeza e pensava ‘E agora, o que eu vou fazer?’ Fiquei muito triste!

Ai apareceu um japonês junto com meu filho que falou de uma máquina de chá que estava abandonada no ferro velho. Eu não tinha todo dinheiro, então compramos meio a meio, eu paguei uma metade e ele a outra. Não paramos de crescer! Meus filhos me ajudam e juntos vendemos chá em São Paulo, já sai em um revista e fui até o Japão!”

Tags: Agricultor, Corpo Inteiro, Fazenda, Idoso, Individual, Japão, Japones. Em pé, Mulher, PROAC, Registro, São Paulo, Sudeste, Tomás Cajueiro

Informações

Cidade
Sumaré – SP
Data
Junho 2017
Fotógrafo
Tomás Cajueiro
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